Pois cá estão eles, os cardos do Mato. Eles e sobretudo elas, as suas
flores, danadas daninhas. Mais raros, mas de porte mais alto, que os de Viana. Talvez por não
gostarem de climas tão agrestes. Que aquilo, meninos, quando dá pà chuva e pò frio… Foge! Achega-te ò
borralho! Felizmente que as trovoadas têm andado arrumadas, nos últimos tempos, a outras bandas, com seus súbitos relâmpagos, terríveis raios e aterradores
estrondos. Santa Bárbara, virgem!... Não se veem nem ouvem já como d’antanho! Porque
será?...
sexta-feira, 8 de março de 2013
segunda-feira, 4 de março de 2013
Danadas daninhas 017
Cardos,
como se vê. “galactites tomentosa”, chamam os entendidos aos desta espécie. Abundantíssima
aqui por Viana. Muito mais do que no Mato. Que por lá, também os há, como se há
de mostrar e ver. Os vianeses encontram-se como alfobres bem adubados ali para as
bandas da Areosa. Sobre tudo, sobretudo. Na encosta do monte, nas bermas de
estradas e caminhos, nos terrenos de cultivo e incultos, entre silvas e outras
ervas ruins, nas gretas dos passeios de pedra ou cimento, na praia entre seixos
e areias. Daninhos, pois. E silvestres,
com folhas espinhosas. E invasivos. Mas que as suas [deles] flores e os botões que
nos seus [deles] caules brotam são também danadas/os
de beleza, ó se são! Basta não passar a vida em correrias. E ter dois olhos na
cara. E uma objetiva apontada, podendo. Como se viu, pelos vistos. E agora se (re)vê.
domingo, 3 de março de 2013
Coisas da arca do velho
001 Viana de branco
Há um quarto de século [Mas não foi ontem?...], a cidade de Viana do Castelo também ficou surpreendentemente de branco. Até à Praia Norte. Foi em 1986, pelos meus descontos. E no Entrudo, segundo fontes orais mais próximas.
As fotografias, encontradas na arca do velho, originalmente em diapositivos, foram realizadas com uma «Voigtländer Vitoret S». E a idade, evidentemente, não perdoa.
segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013
No instante, poemas da minha estante
Notas:
1) «Os três
velhos» encontra-se em Poesia Reunida
(vol. 2 - 1997-2110), Quetzal, 2012, pp. 223-224. Este poema faz parte da
coletânea Giraldomachias. Onze poemas e
um labirinto sobre fotografias de Gérard Castello-Lopes, 1999. Respeitou-se a
grafia e a pontuação da edição consultada. O início do verso 26.º, todavia, foi
corrigido de «a pescas estão» para «a[s] pescas estão». Falha, com certeza, do
revisor.
2) As fotografias e
arranjo gráfico são da autoria e exclusiva responsabilidade do autor deste
blogue. A quarta fotografia mostra as consequências da emigração, nos meios
rurais. Não posso precisar o ano, mas retrata a vida nos campos, ainda largos anos depois do 25 de
abril de 1974.
domingo, 24 de fevereiro de 2013
Danadas daninhas 016
Daninhas, mais ou menos danadas, não faltam por
aí. Como se sabe. Ou talvez. Mas aqui, em Viana - livra! – estas, as de cima,
abusam. Embora, isoladas ou em multidão, sejam bonitas. De uma beleza
relativamente uniforme, concordo, mas belas. Lá, no Mato, também as há, aqui e ali, em
terrenos campestres, valados e bermas de caminhos. Poucas, porém. Nada, absolutamente
nada, contudo, ao que por estas bandas urbanas se vê.
Ao
longo da planície, paralela à Praia Norte, então, encontramos, nas veigas, longos tapetes de intenso amarelo tecidos. São flores e mais flores
que, por esta altura, excessivamente desabrocham em pequenos e esguios caules, numas
ervas verdes trifólias. Uma festa, embora monótona, de inúmeras flores amarelas, simultaneamente
enfestantes, para o olhar, mas infestantes, para os agricultores. Diz-se (ou
li?...), contudo, que também servem de alimento a animais vacum.
Lê-se
AQUI que esta flor
é fruto de uma planta , «vulgarmente conhecida por erva-canária,
erva-azeda-amarela, trevo azedo, erva mijona». E AQUI que é uma «planta
altamente invasiva e de difícil erradicação, devido à sua propagação através
dos múltiplos bolbos que se formam ao longo das suas raízes.»
Trevos, pois. Uma espécie deles,
que os botânicos designam pelo nome latino de «oxalis pes-caprae». Como lhe chamam os comuns mortais, no Mato e em Viana, ainda não sei. Mas ainda não desisti. É tempo, mais que tempo, de não
desistir. De conhecer melhor e mais, pelo menos, as ervas ruins, daninhas
pelos danos que causam. Por isso, também danadas,
i. e., condenadas.Faça cada um o que ao seu alcance estiver.
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