sexta-feira, 8 de março de 2013

Danadas daninhas 018







Pois cá estão eles, os cardos do Mato. Eles e sobretudo elas, as suas flores, danadas daninhas. Mais raros, mas de porte mais alto, que os de Viana. Talvez por não gostarem de climas tão agrestes. Que aquilo, meninos, quando dá chuva e frio… Foge! Achega-te ò borralho! Felizmente que as trovoadas têm andado arrumadas, nos últimos tempos, a outras bandas, com seus súbitos relâmpagos, terríveis raios e aterradores estrondos. Santa Bárbara, virgem!... Não se veem nem ouvem já como d’antanho! Porque será?...

Vão aos cardos. Podem aquecer. E divirtam-se! Mas não se piquem.

segunda-feira, 4 de março de 2013

Danadas daninhas 017










Cardos, como se vê. “galactites tomentosa”, chamam os entendidos aos desta espécie. Abundantíssima aqui por Viana. Muito mais do que no Mato. Que por lá, também os há, como se há de mostrar e ver. Os vianeses encontram-se como alfobres bem adubados ali para as bandas da Areosa. Sobre tudo, sobretudo. Na encosta do monte, nas bermas de estradas e caminhos, nos terrenos de cultivo e incultos, entre silvas e outras ervas ruins, nas gretas dos passeios de pedra ou cimento, na praia entre seixos e areias. Daninhos, pois. E silvestres, com folhas espinhosas. E invasivos. Mas que as suas [deles] flores e os botões que nos seus [deles] caules brotam são também danadas/os de beleza, ó se são! Basta não passar a vida em correrias. E ter dois olhos na cara. E uma objetiva apontada, podendo. Como se viu, pelos vistos. E agora se (re)vê.

Quem quiser “passear” por entre estes cardos daninhos e suas flores danadas, sem riscos de se picar, entre, por exemplo, AQUI.

domingo, 3 de março de 2013

Coisas da arca do velho

001 Viana de branco











Há um quarto de século [Mas não foi ontem?...], a cidade de Viana do Castelo também ficou surpreendentemente de branco. Até à Praia Norte. Foi em 1986, pelos meus descontos. E no Entrudo, segundo fontes orais mais próximas.

As fotografias, encontradas na arca do velho, originalmente em diapositivos, foram realizadas com uma «Voigtländer Vitoret S». E a idade, evidentemente, não perdoa.

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

No instante, poemas da minha estante







Notas:
1) «Os três velhos» encontra-se em Poesia Reunida (vol. 2 - 1997-2110), Quetzal, 2012, pp. 223-224. Este poema faz parte da coletânea Giraldomachias. Onze poemas e um labirinto sobre fotografias de Gérard Castello-Lopes, 1999. Respeitou-se a grafia e a pontuação da edição consultada. O início do verso 26.º, todavia, foi corrigido de «a pescas estão» para «a[s] pescas estão». Falha, com certeza, do revisor.
2) As fotografias e arranjo gráfico são da autoria e exclusiva responsabilidade do autor deste blogue. A quarta fotografia mostra as consequências da emigração, nos meios rurais. Não posso precisar o ano, mas retrata a vida nos campos, ainda largos anos depois do 25 de abril de 1974.

domingo, 24 de fevereiro de 2013

Danadas daninhas 016






Daninhas, mais ou menos danadas, não faltam por aí. Como se sabe. Ou talvez. Mas aqui, em Viana - livra! – estas, as de cima, abusam. Embora, isoladas ou em multidão, sejam bonitas. De uma beleza relativamente uniforme, concordo, mas belas. Lá, no Mato, também as há, aqui e ali, em terrenos campestres, valados e bermas de caminhos. Poucas, porém. Nada, absolutamente nada, contudo, ao que por estas bandas urbanas se vê.

Ao longo da planície, paralela à Praia Norte, então, encontramos, nas veigas, longos tapetes de intenso amarelo tecidos. São flores e mais flores que, por esta altura, excessivamente desabrocham em pequenos e esguios caules, numas ervas verdes trifólias. Uma festa, embora monótona, de inúmeras flores amarelas, simultaneamente enfestantes, para o olhar, mas infestantes, para os agricultores. Diz-se (ou li?...), contudo, que também servem de alimento a animais vacum.

Lê-se AQUI que esta flor é fruto de uma planta , «vulgarmente conhecida por erva-canária, erva-azeda-amarela, trevo azedo, erva mijona». E AQUI que é uma «planta altamente invasiva e de difícil erradicação, devido à sua propagação através dos múltiplos bolbos que se formam ao longo das suas raízes.»
Trevos, pois. Uma espécie deles, que os botânicos designam pelo nome latino de «oxalis pes-caprae». Como lhe chamam os comuns mortais, no Mato e em Viana, ainda não sei. Mas ainda não desisti. É tempo, mais que tempo, de não desistir. De conhecer melhor e mais, pelo menos, as ervas ruins, daninhas pelos danos que causam. Por isso, também danadas, i. e., condenadas.

Faça cada um o que ao seu alcance estiver.